Teoria e Crítica do Design. Prof. Gustavo Amarante Bomfim
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Devido ao surgimento deste mercado, surgiram profundas mudanças em relação às concepções sobre a arte, sobre o artista e sobre o seu lugar na sociedade. O artista se afasta de seu público, considerando-se gênio autônomo e criador independente. Nessas condições, nasce um público anônimo de “burgueses” em conjunto com a aparição de métodos e técnicas tomadas de empréstimo à ordem econômica e ligados a comercialização da arte – como por exemplo, a produção coletiva ou a publicidade para os produtos culturais – que coincide com a rejeição dos cânones estéticos da burguesia e ao esforço metódico para se separar o intelectual do vulgo, ou seja, o artista se afasta tanto do povo quanto do burguês.

A estrutura e o funcionamento do campo de produção erudita
O campo de produção de bens simbólicos apresenta duas vertentes – mais ou menos marcada conforme as esferas da vida intelectual e artística – sendo elas: o campo de produção erudita e o campo da indústria cultural. A diferença básica entre os dois modos de produção se refere a quem se destinam os bens culturais produzidos. Assim, o campo de produção erudita destina a produção de seus bens a um público de produtores de bens culturais, enquanto o campo da indústria cultural os destina aos não-produtores de bens culturais, ou seja, a população em geral.

Campo de produção erudita
Ao contrário do sistema da indústria cultural que obedece à lei da concorrência para a conquista do maior mercado possível, o campo de produção erudita tende a produzir ele mesmo suas normas de produção e os critérios de avaliação de seus produtos, e obedece à lei fundamental da concorrência pelo reconhecimento propriamente cultural concedido pelo grupo de pares que são ao mesmo tempo clientes privilegiados e concorrentes. Pelo poder de que dispõe para definir as normas de produção e os critérios de avaliação de seus produtos, o campo de produção erudita funciona como uma arena fechada de uma concorrência pela legitimidade cultural (consagração propriamente cultural). Nesse sentido, há uma tendência cada vez maior da crítica, em se distanciar do público e fornecer uma interpretação “criativa” para o uso dos “criadores”. Por meio de suas interpretações de expert e de suas leituras “inspiradas” a crítica garante a inteligibilidade de obras fadadas a permanecerem inteligíveis para os não integrados ao campo dos produtores. Constituindo-se, assim, “sociedades de admiração mútua”, uma relação de solidariedade entre o artista e o crítico.

Todo ato de produção cultural objetiva a afirmação de sua pretensa legitimidade cultural. Quando os diferentes produtores se defrontam, a competição se desenvolve em nome de sua pretensão à ortodoxia, ou então , para falar nos termos de Weber, ao monopólio da manipulação legítima de uma classe determinada de bens simbólicos.

Quanto mais o campo estiver em condições de funcionar como o campo de uma competição pela legitimidade cultural, tanto mais a produção pode e deve orientar-se para a busca de distinções culturalmente pertinentes, isto é, busca dos temas, técnicas e estilos dotados de valor. Deste modo, é a própria lei do campo, que envolve os intelectuais e os artistas na dialética da distinção cultural, que impõe os limites no interior dos quais tal busca pode exercer legitimamente sua ação. No entanto, a comunidade intelectual e artística erudita para afirmar a autonomia da ordem propriamente cultural condena quaisquer recursos tecnicamente montados com procedimentos de distinção não reconhecidos e assim imediatamente desvalorizados como meros artifícios.

 
 
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PUC Rio Programa de Mestrado em Design. Disciplina: Teoria e Crítica do Design. Trabalho apresentado em dezembro de 2003.
Alunos: Ailton Santos, Felipe Memória e Juliane Figueredo. Também disponível em: www.fmemoria.com.br/teoriaecritica