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Neste contexto, os princípios de diferenciação a serem legitimados por um campo, que tende a rejeitar toda e qualquer definição externa de sua função, são aqueles que exprimem de modo mais acabado a especificidade da prática intelectual ou artística, ou melhor, de um tipo determinado desta prática. Por exemplo, no âmbito da arte, os princípios estilísticos e técnicos são os mais propensos a se tornarem o objeto privilegiado das tomadas de posição e das oposições entre os produtores. O campo das instâncias de reprodução
e consagração do campo de produção erudita Para a compreensão do funcionamento e as funções sociais do campo de produção erudita é preciso analisar as relações existentes com as instâncias de conservação do capital de bens simbólicos (museus) e com as instâncias de reprodução, como por exemplo, o sistema de ensino, para assegurar a reprodução do sistema dos esquemas de ação, de expressão, de concepção, de imaginação, de percepção e de apreciação social. Em outras palavras, uma definição completa do modo de produção erudito deve incluir as instâncias capazes de assegurar não apenas a produção de receptores dispostos e aptos a receber (pelo menos em médio prazo) a cultura produzida, mas também a formação de agentes capazes de reproduzi-la e renová-la. Um dos princípios fundamentais de estruturação do campo de produção e circulação de bens simbólicos é a relação de oposição e de complementaridade que se estabelece entre o campo de produção erudita e o campo das instâncias de conservação e de consagração. Weber faz um paralelo com o campo religioso, ao entender que a estrutura do campo religioso organiza-se em torno da oposição entre o profeta e o sacerdote (além das oposições secundárias entre profeta, o feiticeiro e o sacerdote). O sistema de ensino, enquanto instância de conservação e consagração cultural, cumpre inevitavelmente uma função de legitimação cultural ao converter em cultura legítima, exclusivamente através do efeito de dissimulação. Isso de deve ao fato de que toda ação pedagógica define-se como um ato de imposição de um arbitrário cultural que se dissimula como tal e que dissimula o arbitrário daquilo que inculca. Este arbitrário cultural que uma formação social apresenta pelo mero fato de existir e, de modo mais preciso, ao reproduzir, pela delimitação do que merece ser transmitido e adquirido e do que não merece, a distinção entre as obras legítimas e as ilegítimas e, ao mesmo tempo, entre a maneira legítima e a ilegítima de abordar as obras legítimas. O sistema de ensino contribui amplamente para a unificação do mercado de bens simbólicos e para a imposição generalizada da legitimidade da cultura dominante, não somente legitimando os bens que a classe dominante consome, mas também desvalorizando os bens que as classes dominadas transmitem e tendendo, por esta via, a impedir a constituição de ilegitimidades culturais. Dessa forma, o sistema das instâncias de conservação e consagração cultural cumpre, no interior do sistema de produção e circulação dos bens simbólicos, uma função homóloga à da Igreja. |
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