Teoria e Crítica do Design. Prof. Gustavo Amarante Bomfim
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Segundo o autor, a disposição ávida e ansiosa em relação à cultura, a boa vontade pura mas vazia e destituída das referências ou dos princípios indispensáveis à sua aplicação oportuna, conduzem os pequenos burgueses a todas as formas de falso reconhecimento que definem a allodoxia cultural: trata-se de erros de identificação bem montados para dar aos que deles são vítimas a ilusão da ortodoxia cultural, erros autorizados e mesmo encorajados pelo que se poderia designar uma “cultura simile”, substituto degradado e desclassificado (no duplo sentido do termo) da cultura legítima e capaz de propiciar a ilusão de ser digno de um consumo legítimo embora permaneça mais acessível do que os bens culturais que de fato pertencem à ordem legítima.

Assim, a arte média só pode renovar suas técnicas e sua temática tomando de empréstimo à cultura erudita e, ainda mais à “arte burguesa”, os procedimentos mais divulgados dentre aqueles usados há uma ou duas gerações passadas, e “adaptando” os temas e os assuntos mais consagrados ou os mais fáceis de serem reestruturados segundo as leis tradicionais de composição das artes populares (por exemplo, a divisão maniqueísta de papéis).

A arte média não é inculcada nem legitimada pelo sistema de ensino, nem constitui o objeto de sanções materiais ou simbólicas, positivas ou negativas, de que dependem a competência ou a incompetência no âmbito da cultura legítima. Por essa razão, não se exige ao nível da cultura média o conhecimento das regras técnicas ou dos princípios estéticos, que constitui parte integrante dos pressupostos e acompanhamentos obrigatórios na fruição das obras legítimas.

Em suma, a oposição entre o legítimo e o ilegítimo – que se impõe no campo dos bens simbólicos com a mesma necessidade arbitrária com que, em outros campos, impõe-se a distinção entre o sagrado e o profano -, recobre a oposição entre dois modos de produção: de um lado, o modo de produção característico de um campo de produção que fornece a si mesmo seu próprio mercado e que depende, para sua reprodução, de um sistema de ensino que opera ademais como instância de legitimação; de outro, o modo de produção característico de um campo de produção que se organiza em relação a uma demanda externa, social e culturalmente inferior.

 
 
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PUC Rio Programa de Mestrado em Design. Trabalho apresentado em dezembro de 2003.
Disciplina: Teoria e Crítica do Design. Alunos: Ailton Santos, Felipe Memória e Juliane Figueredo.