Teoria e Crítica do Design. Prof. Gustavo Amarante Bomfim
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  Resumo do Capítulo 3  
  O Mercado de Bens Simbólicos
 
 

A história da vida intelectual e artística das sociedades européias está relacionada com a história das transformações da função do sistema de produção de bens simbólicos e da própria estrutura destes bens. Ao longo destas transformações, formou-se um campo intelectual e artístico, que almejava a autonomização progressiva do sistema de relações de produção, circulação e consumo de bens simbólicos.

A lógica do processo de autonomização
A vida intelectual e artística permaneceu durante toda a Idade Média e Renascimento, sob a tutela da aristocracia e da Igreja, atendendo às suas demandas éticas e estéticas. A libertação progressiva, tanto econômica como social, deste comando, ou seja, o processo de autonomização da produção intelectual e artística é correlato à constituição de uma categoria socialmente distinta de artistas ou de intelectuais profissionais, cada vez mais inclinados a levar em conta exclusivamente às regras firmadas pela tradição herdada de seus predecessores, e cada vez mais propensos a liberar sua produção e seus produtos de toda e qualquer dependência social, seja das censuras morais e programas estéticos de uma Igreja empenhada em proselitismo, seja dos controles acadêmicos e das encomendas de um poder político propenso a tomar a arte como um instrumento de propaganda.

A constituição da arte enquanto tal é paralela à transformação da relação que os artistas mantém com os não-artistas e, por esta via, com os demais artistas. O que resulta em uma nova definição da função do artista e de sua arte. Tal processo tem início na Florença do século XV, com a afirmação de uma legitimidade propriamente artística, que concede ao artista o direito de legislar com exclusividade em seu próprio campo: o campo da forma e do estilo.

O movimento do campo artístico em direção à autonomia ocorreu em ritmos diferentes segundo as sociedades e esferas da vida artística, mas acelerou-se consideravelmente com a Revolução Industrial e com a reação romântica ligada, de maneira mais ou menos direta conforme as nações, a uma secessão dos intelectuais e artistas que não passa do reverso de uma exclusão e até mesmo de uma relegação. O desenvolvimento do sistema de produção de bens simbólicos é paralelo a um processo de diferenciação, cujo princípio reside na diversidade dos públicos aos quais as diferentes categorias de produtores destinam seus produtos e cujas condições de possibilidade residem na própria natureza dos bens simbólicos. Estes mesmos bens são concomitantemente valorizados como mercadoria e carregados de significações e tanto o caráter mercantil quanto cultural da obra de arte subsistem relativamente independentes.

No momento em que se constitui um mercado da obra de arte, escritores e artistas tem a possibilidade de afirmar a irredutibilidade da obra ao estatuto de simples mercadoria como também a singularidade da condição intelectual e artística. Segundo o autor, a constituição da obra de arte como mercadoria e a aparição de uma categoria particular de produtores de bens simbólicos destinados ao mercado, criam-se condições para o surgimento de uma teoria pura da arte. Esta teoria da arte enquanto tal instaura uma dissociação entre a arte como simples mercadoria e a arte como pura significação. Toda essa conjuntura leva a uma ruptura dos vínculos de dependência dos artistas em relação ao patrão ou a um mecenas, propiciando ao escritor e ao artista uma liberdade que logo se revela formal, sendo apenas a condição de sua submissão às leis do mercado de bens simbólicos.

 
 
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PUC Rio Programa de Mestrado em Design. Trabalho apresentado em dezembro de 2003.
Disciplina: Teoria e Crítica do Design. Alunos: Ailton Santos, Felipe Memória e Juliane Figueredo.