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Pierre Bourdieu (1930/2002) Pierre Bourdieu nasceu na vila de Denguin, no distrito de Pyrénees no sudoeste da França, no ano de 1930. Catedrático de sociologia no Colége de France, Pierre Bourdieu foi considerado um dos intelectuais mais influentes da sua época. A educação, a cultura, a literatura e a arte foram os seus primeiros objetos de estudo. Bourdieu interessou-se pelas obras de Merleau-Ponty, Husserl – Heidegger’s Being e Nothingness já havia lido anteriormente - e também pelos escritos de Marx por razões acadêmicas. O sociólogo francês Pierre Bourdieu faleceu no dia 23 de Janeiro, num hospital de Paris, em conseqüência de um câncer, aos 71 anos de idade. Nos últimos anos, Bourdieu vinha-se dedicando ao estudo dos meios de comunicação e da política. Autor de uma sofisticada teoria dos campos de produção simbólica, o sociólogo procurou mostrar que as relações de força entre os agentes sociais apresenta-se sempre na forma transfigurada de relações de sentido. A violência simbólica, outro tema central da sua obra, não era considerada por ele como um puro e simples instrumento ao serviço da classe dominante, mas como algo que se exerce também através do jogo entre os agentes sociais. Com a morte de Pierre Bourdieu, desapareceu mais uma daquelas figuras que, no período após a II Guerra Mundial, aliaram um pensamento inquieto e impiedoso à intervenção cívica e ao exercício da cidadania. A propósito, Habermas escreveu no Le Monde: "Ontem, Niklas Luhmann, hoje Pierre Bourdieu(...) Com Pierre Bourdieu, desaparece um dos últimos grandes sociólogos do século XX, indiferente às fronteiras entre as disciplinas." Com 71 anos, Bourdieu era, desde 1964, Diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, diretor da Revista Actes de la Recherche en Sciences Sociales e Catedrático de Sociologia no Collège de France, desde 1981. Apesar do seu percurso militante, tão típico dos intelectuais franceses de Sartre a Foucault, Bourdieu tentou manter, de forma implacavelmente lúcida, os limites que se colocam ao intelectual na sua intervenção cívica. De um lado, persistia o intransigente rigor intelectual e acadêmico aplicado aos diversos mecanismos de dominação que atravessam a sociedade. Unindo dois mundos, a vertigem dupla pela pesquisa e pela política, Bourdieu fez dos limites sociológicos da intervenção dos intelectuais um dos temas da sua obra, tornando claro que o estatuto do homem de letras não conferia, necessariamente, ao seu portador uma clarividência resplandecente sobre a sociedade e o mundo. Para Bourdieu, a representação carismática do intelectual surge como uma simples tentativa de colocar entre parênteses tudo o que se acha inscrito em relação à sua posição no campo da produção, ocultando as marcas da sua contextualização social. Diretamente relacionados com a posição do intelectual, encontram-se, ao longo do seu trabalho, três conceitos fundamentais: poder simbólico, campo e habitus.
Estudante de Filosofia, Bourdieu rapidamente ultrapassou a sua vocação
inicial, ao fazer na Argélia, para onde fora destacado como professor,
os seus primeiros trabalhos sociológicos sobre o desenraizamento
verificado entre os trabalhadores argelinos integrados numa economia emergente.
Simultaneamente, dedica-se à Etnologia, estudando as estruturas
de parentesco de várias comunidades argelinas. No final dos anos 70, Bourdieu publica a sua obra maior: La Distinction (Minuit, 1979). O livro afirmar-se-ia rapidamente como um dos textos fundamentais da sociologia da cultura. O juízo estético, à revelia de toda a análise kantiana, é dissecado de um modo que só ganha sentido quando inserido numa sociedade caracterizada pela diferenciação e hierarquização social. O interesse pela Arte e pela Cultura e pelas condições sociais da sua produção voltaria noutros momentos da sua obra, designadamente em Les Régles de I' art (Seuil, 1992), na qual trabalha explicitamente a contextualização social da figura do autor, fixando-se no exemplo de Flaubert. A globalização e a crítica
aos meios de comunicação Ainda em 1998, publica La domination masculine onde utiliza o conceito de habitus e no qual explicita a tese segundo a qual a reprodução da dominação é conseguida porque as mulheres são instruídas para assimilarem o mundo de acordo com as categorias próprias do pensamento masculino. Ao longo dos anos 90, Pierre Bourdieu inicia a crítica aos meios de comunicação com um pequeno trabalho designado Sur Ia télévision (Raisons d'agir, 1997). A obra desencadeia polemicas apaixonadas. Pierre Bourdieu lança a coleção Liber/Raisons d'agir onde são publicados Les nouveaux chiens de garde, de Serge Halimi. A tese principal de Bourdieu diz respeito à mercantilização generalizada da cultura, resultante de uma lógica que coloca em primeiro lugar as audiências transformadas em consumidores passivos. No seu recente artigo publicado em Le Nouvel Observateur, Eribon interroga-se sobre o que fez correr Pierre Bourdieu ao longo destes múltiplos exemplos de exercício de uma implacável sociologia crítica. A resposta para esta fúria de escrita, ao qual corresponde uma urgência idêntica na intervenção cívica, explica-se, na sua perspectiva, pelo conceito de habitus e de campos. Bourdieu toda a sua vida terá tentado responder à pergunta "o que é um indivíduo?", procurando encontrar as margens de liberdade possível desse indivíduo contra os mecanismos sociais que o fabricam, e, ao mesmo tempo, o encerram. A ser assim, teremos chegado ao fim da aventura de um sociólogo fascinado por um imenso desejo de liberdade. Porém, tal como outro grande intelectual francês, Michel Foucault, Bourdieu é um mestre da desconfiança, mobilizado na sua escrita, nuns casos, por uma ironia implacável e, noutros, por uma raiva surda que parecem denunciar as imensas negações e decepções com que essa aspiração se confronta. Principais obras e artigos de Pierre Bourdieu
Bibliografia
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